Especialistas em Patrimônio Cultural se reúnem na Fazenda Capão Alto

Especialistas em Patrimônio Cultural  se reúnem na Fazenda Capão Alto

 

As principais autoridades responsáveis pelo Patrimônio Cultural no Paraná estiveram na Fazenda Capão Alto, em Castro, no início desta semana. A fazenda passará por estudos arqueológicos nos próximos meses para que seja definida sua melhor utilização.

A coordenadora de Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, Rosina Parchen, contou que o local foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural há 30 anos e, desde, então ocorreram várias tentativas de recuperação por parte do Estado e da iniciativa privada.

“Esta nova oportunidade está vindo em um bom momento, devido a tecnologia que temos a disposição para o trabalho de pesquisa e reconhecimento da área com precisão e rapidez, que dará os elementos para os trabalhos de arqueologia e para a nova ocupação da área, recuperação e restauração do complexo”, explicou Rosina.

“Estamos dando o primeiro passo para, se não solucionar por completo o problema, equacioná-lo para que a Fazenda se torne sustentável e possa cumprir sua função social”, disse o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN/PR), José La Pastina Filho.

Segundo La Pastina, a Fazenda tem um grande potencial para o turismo cultural por conter história, ruínas de uma capela do século XVIII e um trecho de mata. “Aqui podemos desenvolver o turismo voltado à educação patrimonial”, disse.

La Pastina explicou que, como a Fazenda tem muitos vestígios arqueológicos, será necessário fazer um grande trabalho cientificamente controlado, mas que pode ser acompanhado por estudantes em algo que se chamado Sítio Escola, do qual alunos de curso superior – sensibilizados pela arqueologia –, poderão participar das escavações. Para ele, área ainda poderá receber visitas monitoradas com os demais estudantes da região para, por exemplo, demonstrar como se pode estudar a civilização através dos seus vestígios.

Estudos – O professor Igor Chmyz, da Universidade Federal do Paraná e responsável pela coordenação da pesquisa arqueológica, contou que o subsolo será escaneado, com uma tecnologia que se utiliza de um radar de penetração (chamada de GPR), que ainda é pouco utilizada no Brasil. “Isso trará rapidez aos estudos”, disse o professor. Segundo ele, o sistema mapeia o subsolo acusando onde há anomalias e a partir disso são feitas as verificações.

“Este é um grande complexo arqueológico, que oferece muitas possibilidades de estudo”, destacou o professor, que durante a visita apontou no relevo da região, margeada pelo Rio Iapó, que o local pode haver resquícios indígenas. “Em pesquisas recentes, seguindo este Rio, achamos pinturas rupestres datadas de sete mil anos”, contou.

Segundo um dos curadores da Fazenda, Fábio Chedid Silvestre, a reunião entre todos os agentes envolvidos no processo, como poder público, proprietário e curadoria teve como objetivo fazer um processo diagnóstico coerente sobre a Fazenda para que os próximos passos tenham razão e pertinência. Participaram da reunião o proprietário da Fazenda, Koob Petter, e o Procurador Geral de Castro, Ronie Cardoso Filho.

Capão Alto – A Fazenda Capão Alto foi tombada pelo Estado no início da década de 80 e está em processo de tombamento federal. O complexo conta com as ruínas de uma capela (de taipa de pilão) datada de 1.740, um Casarão Colonial de 1.858, entre outras construções.

O local remonta o início da colonização nos Campos Gerais e era um local de pouso dos tropeiros que levavam mulas e gado de Viamão (RS) a Sorocapa (SP). No local da Fazenda, a antiga Sesmaria do Iapó, surgiu o primeiro assentamento, que depois foi deslocado dando origem a Vila de Castro. A posse da Fazenda é outra história a parte, pois esta passou da aristocracia paulista, aos religiosos Carmelitas, proprietários rurais paraenses e imigrantes holandeses.